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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Vacinas sem agulhas no futuro

A tecnologia deixa antever que no futuro as vacinas serão aplicadas sem agulhas, Os cientistas desenvolveram nanoadesivos que terão uma mais fácil aplicação do que as atuais seringas com agulhas.

Até hoje ainda não foi encontrada uma melhor forma de ficar imune a várias doenças do que a vacinação. Mas as agulhas provocam pânico nas crianças e até os adultos não morrem de amores por elas. Mas o medo associado à dor provocada pela agulha pode, no futuro, ficar apenas como uma memória do passado.
Os cientistas desenvolvem alternativas às temidas agulhas e a aposta passa pela nanotecnologia para a aplicação das vacinas.
Investigadores da Universidade de Queensland, na Austrália, criaram o "nanopatch", um pequeno penso de silicone de 1 centímetro quadrado com milhares de microagulhas, 80 vezes mais finas que um cabelo. Quando aplicado na pele, introduz sem dor a vacina, em pó, debaixo da camada dérmica.
No Reino Unido, no King's College de Londres os cientistas também desenvolveram um adesivo semelhante. Este de silicone e em forma de disco possui minúsculas agulhas de açúcar que se dissolvem na pele, introduzindo a vacina.
Os adesivos estão a ser testados em animais com bons resultados. Os investigadores adiantam que os adesivos requerem doses mais pequenas de vacinas conseguindo uma resposta do sistema imunitário mais eficiente. Isto porque "com as agulhas a vacina é injetada no músculo que possui muito menos células do sistema imunitário do que a pele", explica Mark Kendall, responsável pela investigação na Universidade australiana.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Atmosfera do futuro diminuirá produção de alimentos

    Em Maio foi atingido o recorde de concentração de dióxido de carbono no ar, 400 partes por milhão - e este patamar deve ser comum nos próximos anos. Mas na prática, o que significa? Redução na produção agrícola de alimentos como o arroz, feijão, soja, milho e trigo, segundo investigadores do Cena (Centro de Energia Nuclear na Agricultura), unidade da USP (Universidade de São Paulo) em Piracicaba, que simularam um ambiente saturado de CO2.

Já a cana-de-açúcar e as pastagens teriam um incremento na produção com o aumento da concentração do CO2. Mas antes de ver um «lado bom», Adibe Luiz Abdalla, professor do Cena/USP e orientador do trabalho, faz um alerta: a braquiária, gramínea largamente utilizada para alimentação de gado, apresentou crescimento 20% superior do que as plantas em ambiente normal, porém esse crescimento também tornou o capim menos digestível para o animal.
Com mais dióxido de carbono, a planta produz 5% menos folhas e tem os talos, que têm fibras indigestas,  aumentados em 8%. Assim, a braquiária perde valor nutricional e aumenta ainda mais a emissão de metano pelos bovinos, o que significa mais gases com efeito de estufa.
Os cientistas criaram uma área controlada onde a concentração do dióxido de carbono na atmosfera seria de 550 ppm (parte por milhão), o que corresponde a uma estimativa que seria alcançada em 30 anos. Actualmente, temos entre 370 e 390 ppm na atmosfera.
«A elevação de CO2 aumenta a fotossíntese e a produção de biomassa na braquiária», explica Abdalla. Porém, o algodão também sofrerá com uma menor produtividade.
Outra especialista da Embrapa Jaguariúna, local onde foi feita a experiência, está a avaliar o impacto no café e a qualidade do grão. Já se sabe que com o ambiente modificado a planta pode crescer e produzir mais, contudo a qualidade do grão e a fragilidade para doenças também tendem a aumentar, o que coloca os pesquisadores em alerta.
O campo da Embrapa, que fica no município de Jaguariúna/SP, é onde está localizado esta experiência. A área possui 12 redondéis, com 10 metros de diâmetro, nos quais seis são equipados com injecções de C02 no seu interior, criando a atmosfera de CO2 elevado. A outra metade possui atmosfera ambiente.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Pavimento que produz eletricidade testado em ambiente real na Covilhã

Na próxima semana a Waydip, empresa responsável pelo pavimento gerador de energia, começa um teste de fogo. Os cofundadores garantem que há muitos interessados no projeto, incluindo no estrangeiro.

A cidade da Covilhã foi o local escolhido para o teste piloto do Waynergy, o pavimento que produz eletricidade através do movimento dos veículos e das pessoas. No dia 12 de julho o projeto vai ser testado em ambiente real para medir as verdadeiras capacidades do conceito em durabilidade e produção energética.

O teste em condições do dia a dia - condições atmosféricas e comportamento de veículos, por exemplo - e sem o mínimo de controlo é para Filipe Casimiro, um dos cofundadores da Waydip, empresa responsável pelo Waynergy, o grande desafio de todo o projeto até ao momento. O pavimento cinético está em desenvolvimento desde 2010, mas agora é o momento da verdade.

O principal objetivo da empresa é conseguir validar o produto através do teste piloto na cidade do interior. O Waynergy vai ser instalado em dois módulos: um dedicado para veículos, outro dedicado para pessoas. A instalação do pavimento vai ser feita perto do Hospital Pêro da Covilhã, uma das zonas mais movimentadas da cidade sobretudo a nível automóvel, pela proximidade com a entrada e saída da autoestrada.

Com a energia das deslocações, o pavimento tem a capacidade de gerar eletricidade que vai alimentar os painéis publicitários e os semáforos da zona circundante à instalação.

Para já a única limitação do Waynergy é a localização: preferencialmente em zonas de abrandamento para os veículos ou de passagem de um grande número de pessoas. Portagens, rotundas, passadeiras, semáforos são alguns dos exemplos de localização ideal para os módulos dedicados para carros. No que diz respeito ao módulo para pessoas, já existe um que está a ser testado num dos átrios de acesso entre Centro Comercial Colombo, em Lisboa, e a linha de metropolitano.

Waynergy

O modelo instalado na superfície comercial tem cerca de um mês e ainda não foram feitas medições energéticas que permitam tirar as primeiras conclusões, como explicou Sérgio Baptista, um dos cinco elementos que compõe a Waydip.

Filipe Casimiro confessa que atualmente a implementação do pavimento ainda tem custos elevados, mas a ideia passa por continuar a desenvolver o conceito a nível de mecânica e eletrónica para que seja uma tecnologia tão viável como outras fontes de energia verde, tal como os painéis solares e eólicas.

Ainda sem pensar muito no plano de negócios, os esforços estão concentrados na validação do produto com a experiência em ambiente real na Covilhã. Depois, caso o teste seja ultrapassado, já existem clientes a nível nacional e internacional que têm interesse em investir no Waynergy.

Ainda relativamente à estratégia da empresa para o futuro, Filipe Casimiro revelou que numa primeira fase o pavimento vai dar resposta a aplicações locais, como a alimentação de publicidades, fontes de iluminação e semáforos. Numa fase posterior, e já exigindo outro tipo de parceiros, o objetivo é vender energia para a rede nacional elétrica. 

Pavimento que produz eletricidade testado em ambiente real na Covilhã

Na próxima semana a Waydip, empresa responsável pelo pavimento gerador de energia, começa um teste de fogo. Os cofundadores garantem que há muitos interessados no projeto, incluindo no estrangeiro.

A cidade da Covilhã foi o local escolhido para o teste piloto do Waynergy, o pavimento que produz eletricidade através do movimento dos veículos e das pessoas. No dia 12 de julho o projeto vai ser testado em ambiente real para medir as verdadeiras capacidades do conceito em durabilidade e produção energética.

O teste em condições do dia a dia - condições atmosféricas e comportamento de veículos, por exemplo - e sem o mínimo de controlo é para Filipe Casimiro, um dos cofundadores da Waydip, empresa responsável pelo Waynergy, o grande desafio de todo o projeto até ao momento. O pavimento cinético está em desenvolvimento desde 2010, mas agora é o momento da verdade.

O principal objetivo da empresa é conseguir validar o produto através do teste piloto na cidade do interior. O Waynergy vai ser instalado em dois módulos: um dedicado para veículos, outro dedicado para pessoas. A instalação do pavimento vai ser feita perto do Hospital Pêro da Covilhã, uma das zonas mais movimentadas da cidade sobretudo a nível automóvel, pela proximidade com a entrada e saída da autoestrada.

Com a energia das deslocações, o pavimento tem a capacidade de gerar eletricidade que vai alimentar os painéis publicitários e os semáforos da zona circundante à instalação.

Para já a única limitação do Waynergy é a localização: preferencialmente em zonas de abrandamento para os veículos ou de passagem de um grande número de pessoas. Portagens, rotundas, passadeiras, semáforos são alguns dos exemplos de localização ideal para os módulos dedicados para carros. No que diz respeito ao módulo para pessoas, já existe um que está a ser testado num dos átrios de acesso entre Centro Comercial Colombo, em Lisboa, e a linha de metropolitano.

Waynergy

O modelo instalado na superfície comercial tem cerca de um mês e ainda não foram feitas medições energéticas que permitam tirar as primeiras conclusões, como explicou Sérgio Baptista, um dos cinco elementos que compõe a Waydip.

Filipe Casimiro confessa que atualmente a implementação do pavimento ainda tem custos elevados, mas a ideia passa por continuar a desenvolver o conceito a nível de mecânica e eletrónica para que seja uma tecnologia tão viável como outras fontes de energia verde, tal como os painéis solares e eólicas.

Ainda sem pensar muito no plano de negócios, os esforços estão concentrados na validação do produto com a experiência em ambiente real na Covilhã. Depois, caso o teste seja ultrapassado, já existem clientes a nível nacional e internacional que têm interesse em investir no Waynergy.

Ainda relativamente à estratégia da empresa para o futuro, Filipe Casimiro revelou que numa primeira fase o pavimento vai dar resposta a aplicações locais, como a alimentação de publicidades, fontes de iluminação e semáforos. Numa fase posterior, e já exigindo outro tipo de parceiros, o objetivo é vender energia para a rede nacional elétrica. 

Árvore escolhida para a sequenciação do genoma do sobreiro é de Montargil

O projecto que vai sequenciar a árvore mais importante para a silvicultura portuguesa já está em andamento e poderá encontrar indicadores para melhorar a produção de cortiça. 
O sobreiro escolhido para ser sequenciado ainda vai viver mais algumas décadas new chevy silverado
O sobreiro escolhido para ser sequenciado ainda vai viver mais algumas décadas  O sobreiro escolhido para a sequenciação do genoma desta espécie é de Montargil e tem entre 120 e 150 anos. É uma árvore de meia-idade com “um porte bonito”, adianta ao PÚBLICO João Pereira Lopes, proprietário da Herdade de Leitões, e dono do sobreiro em questão. O engenheiro participou nesta quarta-feira, em Oeiras, na apresentação da árvore seleccionada para o projecto GenoSuber, uma investigação 100% port
uguesa que vai dar informação completa do genoma da árvore com maior importância na silviicultura nacional devido à produção de cortiça. “A importância deste projecto é muito grande. Poderão vir a encontrar-se soluções para os problemas que afectam os montados”, explica João Pereira Lopes, que desde 1983 é responsável pelo montado do distrito de Portalegre, e que já teve visitas internacionais como a de um congresso da Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO), em 1960, sobre floresta mediterrânica. O próprio Joaquim Vieira Natividade, engenheiro silvicultor e o mais importante especialista português de sobreiros do século XX, intervencionou nesta herdade na década de 1940. Contas feitas, o sobreiro escolhido é bem mais velho do que estes acontecimentos, nasceu no século XIX, mas viveu o suficiente para passar a fazer parte da espécie que é a árvore nacional em 2011. Poderá ainda ter mais algumas décadas de vida produtiva – o Quercus suber (nome em latim do sobreiro) pode estar em produção até aos 180 a 200 anos –, e cumpre os objectivos que a equipa do projecto definiu. Era necessário encontrar um exemplar saudável, com uma esperança de vida de 20 ou 30 anos e com cortiça de qualidade. A árvore tinha de estar suficientemente isolada de espécies como a azinheira, para não haver um perigo de ser um híbrido - algo que acontece frequentemente entre estas espécies de Quercus. Além disso, é uma árvore suficientemente pura a nível genético para facilitar o trabalho de sequenciação. Esta é a primeira vez que uma equipa totalmente portuguesa vai sequenciar um organismo superior. "A ideia da sequenciação do genoma do sobreiro já é bastante antiga", diz Sónia Gonçalves, investigadora principal do projecto e chefe do grupo de Genómica Agronómica do Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Baixo Alentejo e Litoral (CEBAL), em Beja. "Somos os maiores produtores mundiais em cortiça e também devemos ser o país que detém o maior conhecimento da espécie, e estar na vanguarda da investigação." O conhecimento de todos os genes do sobreiro estabelecerá um patamar novo na investigação desta espécie. Será possível olhar para genes específicos e procurar por marcadores genéticos que revelem se um sobreiro vai dar boa cortiça, aumentando assim a produtividade de click here um montado. Outro objectivo é procurar por genes que se activam quando a árvore luta contra infecções. Um dos problemas com que a indústria se depara é o declínio do sobreiro. As causas parecem ser muitas: as alterações climáticas, o mau uso do solo, ou um fungo que se encontra quando o sobreiro já está a morrer. Mas a questão está longe de ser inteiramente compreendida.
 Líderes mundiais 
Os sobreiros são uma das árvores que definem o Centro e o Sul do país, responsáveis pelas paisagens do montado, juntamente com a azinheira, e dos sobreirais – menos conhecidos e mais frequentes no Sul do país. As condições climáticas mediterrânicas típicas conjugadas com a influência do atlântico que não deixa os Verões serem demasiado quentes, tornam Portugal ideal para o crescimento do sobreiro que sobrevive a solos pobres e é muito resistente aos incêndios. Por isso, os dados do 6.º Inventário Florestal Nacional, de Fevereiro de 2013, não surpreendem: a espécie cobre 737 mil hectares do país, o que representa 23% da área florestal portuguesa, só ficando atrás do eucalipto, e possibilita que Portugal seja responsável pela produção de 52% da cortiça do mundo. "Existe um único produto sustentável e renovável em que somos líderes, que é a cortiça", explica por sua vez José Matos, que faz parte do projecto e é investigador principal do grupo de Biologia Molecular do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), em Oeiras, onde nesta quarta-feira se deu a apresentação da árvore. Por isso, o sobreiro "é uma árvore que merece toda a nossa atenção", diz o biólogo. Em Outubro de 2012 foi assinado o projecto de 30 meses que vai custar 1,13 milhões de euros: 85% virão do Quadro de Referência de Estratégia Nacional (QREN), a Corticeira Amorim vai garantir 7,5% do montante. O resto do dinheiro ainda é necessário angariar. Outras instituições envolvidas são a empresa BIOCANT, o Instituto de Tecnologia Química e Bioquímica, o Instituto Gulbenkian de Ciência e o Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, os três em Oeiras.
Competências novas
 Os trabalhos arrancaram em Janeiro deste ano com a procura do sobreiro. O ADN vai ser retirado de folhas desta árvore cultivadas em laboratório. A sequenciação será feita no estrangeiro, através de contratos com empresas. As equipas portuguesas vão receber milhares de pequenas sequências de ADN que terão de montar como um puzzle de muitas peças. O genoma do sobreiro tem 24 pares de cromossomas. Esta informação que em bruto vai exigir competências novas de bioinformática para ser tratada. A equipa  vai ter de contratar cinco profissionais que vão ter treino especial para fazer esta análise. Este é um dos objectivos colaterais deste trabalho, sublinham tanto Sónia Gonçalves como José Matos, criar uma massa de profissionais capazes de analisar este tipo de dados e que poderão trabalhar em futuros projectos se sequenciação de genomas.

Cientistas dizem que há mais e maiores peixes no Parque Marinho da Arrábida

Estudos revelam primeiras tendências da área protegida criada em 1998 e totalmente regulamentada em 2009


Uma equipa de especialistas do ISPA - Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida está a chegar às primeiras evidências de que a criação do Parque Marinho Luiz Saldanha, na Arrábida, está a dar resultados positivos. São conclusões preliminares, ainda com grande incerteza. Mas nas áreas onde a pesca foi proibida há mais peixes, e são sobretudo maiores.
O cenário promissor é traçado em vários estudos realizados pelos especialistas do ISPA. Num deles, publicado em Maio na revista Marine Ecology Progress Series, os cientistas utilizam diferentes tipos de informação: contaram os peixes, compararam com dados preexistentes e verificaram o resultado concreto da pesca.
Contar animais debaixo da água não é fácil. Para evitar que o mesmo peixe não apareça duas vezes nos registos, só se consideram aqueles que estão à frente da vista quando se começa a tarefa. "Se vêm de trás, não contamos", afirma a bióloga Bárbara Horta e Costa, autora principal do estudo. "Também é preciso ver os cardumes que dão voltas".
Embora tenha sido criado legalmente em 1998, só em 2005 é que o parque teve o seu plano de ordenamento aprovado. Os seus 53 quilómetros quadrados, mais ou menos entre o Cabo Espichel e o Portinho da Arrábida, foram divididos em áreas de protecção total, onde a pesca é proibida, de protecção parcial, onde só se pode pescar a mais de 200 metros da costa, e complementares, onde não há restrições a não ser para algumas artes de pesca.
O estudo conclui que há uma diferença entre o que se encontra mais junto à costa nas áreas onde a pesca é proibida e nas áreas complementares. "Há mais indivíduos e mais biomassa", afirma Emanuel Gonçalves, professor do ISPA e co-autor do estudo. Mergulhadores desportivos da zona têm notado a diferença
.
O efeito é mais notório em peixes comerciais, em particular o polvo (Octopus vulgaris) e uma das espécies de sargo (Diplodus sargus). Em ambos os casos, há aproximadamente o dobro de biomassa por metro quadrado nas áreas mais protegidas. "Hoje observei os maiores sargos que já vi desde que mergulho aqui", disse Bárbara Costa ao PÚBLICO, depois de uma jornada no mar.
Isto poderia nada ter a ver com o parque marinho, reflectindo apenas que determinadas zonas da costa têm naturalmente mais fauna. Mas os investigadores dizem que o habitat entre as diferentes áreas do parque é muito semelhante. Além disso, a comparação com dados de campanhas de caracterização realizadas em 1998 e 1999 revela que, para as mesmas zonas, a densidade de peixes comerciais aumentou desde que entraram em vigor em pleno as normas do parque marinho, em 2009. A diferença não é estatisticamente significativa, mas é um sinal, dizem os cientistas.
Os dados da pesca mostram resultados mistos. As capturas de polvo, o principal rendimento dos pescadores da região, teve uma subida acentuada até 2005, antes da entrada em vigor do plano de ordenamento. Depois caíram ligeiramente mas voltaram a subir, atingindo um nível recorde em 2009. Os sargos também registaram uma subida depois do plano de ordenamento, embora tivessem caído entre 2003 e 2005. "Nas capturas, não parece ter havido efeito negativo", afirma Emanuel Gonçalves.
As proibições no parque marinho foram no princípio fortemente contestadas por pescadores profissionais e desportivos. Mas a pesca adaptou-se, conforme revela outro estudo de investigadores do ISPA, publicado em Junho na revistaPLOS One.
Na pesca com armadilhas - sobretudo para o polvo - houve uma migração da área mais junto ao Cabo Espichel, onde já não se pode pescar a menos de 200 metros da costa, para a área complementar que tem o porto de Sesimbra como centro. Para a pesca com redes, a variação não foi muito significativa, pois a actividade já estava fora de áreas onde agora há proibições.
Os pescadores ainda não sentem, porém, os efeitos do parque. "Para as capturas que fazemos, não está nada melhor", afirma António Pila, presidente da Associação de Armadores de Pesca Artesanal Local do Centro e Sul.
Efeitos sobre as pescas em si poderão ocorrer se de facto houver sobretudo peixes maiores na zona protegida. Um robalo com 80 centímetros produz 14 vezes mais juvenis do que um com 40 centímetros.
Os estudos até agora realizados sugerem que apenas começa a haver um "efeito de reserva" sobre os peixes. Mas ainda é cedo para lançar foguetes. "O resultado não é espectacular", diz Emanuel Gonçalves. Os trabalhos de monitorização vão continuar pelo menos até 2015. "Temos de esperar mais tempo."

terça-feira, 2 de julho de 2013

Investigadores criam vacina que evitou malária em ratos de laboratório

Segundo investigadores da Universidade de Griffith, em Queensland, a vacina contra todas as variantes da malária poderá ser encontrada em breve. Os cientistas conseguiram imunizar pequenos ratos de laboratório e procuram voluntários para perceber a eficácia do tratamento em humanos.
Um trabalho de investigação realizado por cientistas da Universidade de Griffith, na Austrália – e publicado no Journal of Clinical Investigation – permitiu abrir portas para a criação de uma vacina, capaz de imunizar ratos (para já) contra todas as estirpes da malária, doença que mata cerca de 600 mil pessoas, todos os anos.
Os investigadores australianos consideram que o seu estudo foi bem sucedido, mas pretendem agora perceber se terá o mesmo resultado em humanos. E nesse sentido procuram voluntários, para tentar criaruma vacina contra a malária.
Em laboratório, os cientistas conseguiram criar imunidade à doença através de uma dose única desta vacina, em ratos, sendo que foram os glóbulos brancos dos pequenos roedores que combateram o parasita que transportava a malária. O resultado do trabalho surpreendeu os próprios cientistas.
“Para nossa grande surpresa, verificámos que os animais, depois de protegidos, ficaram imunes não apenas à estirpe para que foram tratados mas para todas as estirpes de malária a que foram expostos”, sustentou Michael Good, coordenador da investigação, num comunicado, citado pelo jornal Público.
Todos os anos morrem cerca de 600 mil pessoas vítimas da malária, a maior parte das quais crianças que vivem em África. O combate a esta doença tem suscitado diversos estudos, com a finalidade de diminuir a mortalidade e controlar o mosquito que transporta a doença.
Recentemente, um estudo concluiu que o mau cheiro dos pés pode servir de armadilha para o vírus da malária. Num estudo da Escola de Higiene e de Medicina Tropical de Londres, os cientistas captaram odores dos pés de voluntários, colocando-os em tubos de ensaio. Posteriormente, libertaram insetos e concluíram que estes procuraram mais aqueles que apresentavam odor, em especial o cheiro a chulé.
A pesquisa prossegue, com a identificação dos compostos químicos que compõem este cheiro dos pés. Depois, nascerão as armadilhas, que tentarão enganar um sentido de olfato apuradíssimo dos mosquitos da malária.
Num relatório da OMS divulgado no final do ano passado, apontava-se uma redução de mortes por malária na ordem dos 20 por cento, em todo o mundo. Segundo a mesma entidade, em 2009, teriam morrido 781 mil pessoas.
No entanto, um estudo publicado no ano passado veio revelar que, apenas no ano de 2010, terão perdido a vida 1,24 milhões de pessoas, o que representa cerca do dobro do valor apontado pela Organização Mundial de Saúde.
Esta pesquisa norte-americana, mais recente, estudou as últimas três décadas e avaliou diferentes critérios, que nunca antes tinham sido considerados. Desde logo, o acesso aos cuidados de saúde e os mecanismos de combate à malária.
A malária – uma doença causada por um mosquito e é transmitida através de uma simples picada – terá atingido o pico de mortalidade em 2004, segundo este estudo, que aponta 1,8 milhões de mortos.
A partir daquele ano, regista-se uma diminuição progressiva, o que significa que as estratégias de combate á doença estão a produzir efeitos. De qualquer forma, segundo a OMS, metade da população mundial enfrenta o risco de contrair malária.
Os investigadores norte-americanos consideram ser impossível erradicar a doença nos próximos anos. Este estudo acaba por representar o conhecimento da realidade da malária em todo o mundo: o conhecimento real da situação é a melhor forma de traçar planos para o combate à doença. E esse é o grande mérito desta pesquisa.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Made in Portugal-Símbolos de Portugal-Andorinha

    A famosa andorinha desenhada por Rafael Bordalo Pinheiro nasceu em 1891. A andorinha por voltar quase sempre ao mesmo local onde , anteriormente, fizera o ninho e por possuir um único parceiro ao longo da sua vida, simboliza valores como Lar, Família, Amor, Fidelidade e Lealdade. Estas peças são feitas de cerâmica e ainda nos dias de hoje embelezam o artesanato português.

Fonte: www.docecar.pt

Nasa lança iniciativa para rastrear e capturar asteroides

A Nasa lançou esta terça-feira uma ampla iniciativa que envolve as agências federais, a comunidade científica, o setor industrial, as universidades e o público em geral, com a finalidade de rastrear e localizar todos os asteroides que poderiam representar uma ameaça para o mundo.

O plano se insere nos "Grandes Desafios da Casa Branca", uma série de ambiciosos objetivos em nível nacional e internacional que requerem inovação e avanços científicos e tecnológicos.

Este "Grand Challenge" se baseia em colaboração multidisciplinar e em uma grande variedade de associações entre a Nasa e outras agências internacionais, assim como do governo americano, as empresas, as universidades e astrônomos amadores.

Este projeto se complementa com uma missão anunciada recentemente pela Nasa, na qual uma nave não tripulada capturará um asteroide e o rebocará até a órbita lunar, a fim de poder enviar astronautas para estudá-lo.

"A Nasa já trabalha no acompanhamento de asteroides que poderiam representar um perigo para o nosso planeta e, apesar de termos encontrado 95% dos maiores (com mais de um quilômetro de diâmetro), cuja órbita está perto da Terra, temos que detectar a todos", declarou a administradora adjunta da Agência Federal americana, Lori Garver.

"O 'Grande Desafio' se concentra na detecção de (...) asteroides e no que fazer em caso de uma ameaça potencial", explicou. "Neste contexto, vamos aproveitar a participação do público e sua capacidade de inovação e dos cidadãos científicos para ajudar a resolver este problema global".

Asteroides de diferentes tamanhos, resíduos da formação do Sistema Solar, circulam nos arredores da Terra.

A Nasa já detectou quase todos estes objetos celestes com mais de um quilômetro de diâmetro, um dos quais causador da extinção dos dinossauros, ao colidir com a Terra há 65 milhões de anos.

Os cientistas afirmam que uma colisão com um destes grandes objetos é muito rara e nenhum dos já detectados representa um risco previsível no futuro.

Embora os grandes asteroides sejam facilmente identificáveis, detectar outros menores e mais numerosos é mais difícil.

O Congresso americano pediu à Nasa em 2005 que detectasse todos os asteroides com mais de 140 metros de diâmetro que potencialmente podem destruir uma cidade grande.

Segundo a Nasa, há provavelmente 25.000 asteroides com pelo menos 100 metros de diâmetro ao redor da órbita terrestre. Só foram detectados 25% deles.

A caça de asteroides ganhou maior urgência desde 15 de fevereiro, no dia de uma passagem antecipada de um destes objetos muito perto da Terra e da surpreendente queda de um asteroide de 15 metros de diâmetro na Rússia.

Este último, ao se desintegrar, provocou uma onda de choque que quebrou muitas janelas, ferindo centenas de pessoas.

Em um contexto de orçamento curto, a Nasa também se esforça por desenvolver outros sistemas capazes de localizar objetos celestes pequenos.

Além disso, financia um projeto da Universidade do Havaí chamado Atlas (Sistema de Alerta do Impacto Terrestre de Asteroides), que vasculhará todo o céu a cada noite e detectará asteroides com diâmetro de 45 metros uma semana antes de um impacto na Terra.

Para os asteroides de 150 metros de diâmetro, este sistema, que poderia funcionar em 2015, dará a voz de alerta três semanas antes.

Ex-cientistas da Nasa deram em 2012 o pontapé inicial à Fundação B612 para financiar, construir e lançar o primeiro telescópio espacial privado para rastrear asteroides e "proteger a humanidade", capaz de eliminar a maioria destes objetos ainda invisíveis.
Rocha de basalto lunar exposta no Museu de História Natural em Viena, 18 de junho de 2013.